30 maio, 2026 às 14:30 na Embaixada da Russia (Rua Visconde de Santarém 71, Lisboa) haverá 🙋 164ª Manifestação semanal

🙋 161ª Manifestação semanal

9 maio, 2026 ⏱ 14:30
Embaixada da Russia, 📍 Rua Visconde de Santarém 71, Lisboa

A memória da vitória na Grande Guerra Patriótica.

Hoje é 9 de maio, sábado, 14h30, e estamos, como de costume, em frente à Embaixada da Rússia em Lisboa.

9 de maio é a data do fim de uma enorme tragédia, pela qual dezenas de milhões de pessoas pagaram com a vida, e por isso falar da Vitória não exige um passo de parada festivo, mas sim a preservação da memória e a reflexão sobre as consequências. Muitos antigos combatentes não falavam da guerra aos filhos e netos — não porque não tivessem nada a dizer, mas porque o que fosse dito seria demasiado terrível. Recordavam não o desfile, mas a trincheira. Não a marcha, mas os feridos. Não os slogans, mas os rostos daqueles que ficaram na terra. A verdadeira preservação da memória da Grande Guerra Patriótica e da Segunda Guerra Mundial seria impedir uma nova agressão.

Dmitri Zorin, neto de um combatente com a Ordem da Estrela Vermelha, duas Ordens da Guerra Patriótica e que foi ferido quatro vezes, escreveu que mesmo depois de 1965, quando Brejnev restabeleceu os desfiles e as celebrações solenes, o avô não gostava nem de falar da guerra nem de festejar. Sentava-se à mesa no pátio, servia-se de vodca e, em silêncio, evocava sozinho os companheiros de combate.
cxid.info/194406.html

Num dos testemunhos familiares sobre o combatente Alexander Smirnov, diz-se que ele não ia às festas nem aos desfiles da cidade. Em silêncio, em casa, vestia o uniforme com as condecorações, bebia cem gramas e chorava, recordando os que morreram.
ura.news/articles/1053090981

Viktor Astafiev, soldado raso de transmissões, ferido duas vezes na frente, odiou os desfiles militares até ao fim da vida. A sua neta, Polina, recordava que, no dia 9 de maio, os amigos se reuniam em casa, mas sem alegria — eram demasiados os que não tinham regressado.
eksmo.ru/articles/5-faktov-o-viktore-astafeve-04-24-ID15679037/

Vasil Bykov, comandante de pelotão, ferido duas vezes, que passou pela Ucrânia, Roménia, Hungria e Áustria, formulou o seu princípio numa entrevista à «Literaturnaya Gazeta»: sobre a guerra, por mais difícil que seja, é preciso escrever a verdade e toda a verdade. Na sua publicística escreveu sobre um medo particular na frente — não só dos alemães, mas também daquele que vinha pelas costas: dos superiores e dos órgãos repressivos soviéticos.
lgz.ru/article/posledniy-rubezh-vasilya-bykova/
monocler.ru/vse-taki-mnogoe-v-mire-svyazano-prochnoy-bechevoy-vasil-byikov-o-voyne-i-nevyiuchennyih-urokah/

O historiador de arte do Hermitage, Nikolai Nikulin, que passou pelas frentes de Volkhov e de Leninegrado, foi ferido quatro vezes e chegou a Berlim, escreveu não sobre como o Exército Vermelho venceu, mas sobre o preço desumano que isso custou aos soldados rasos. E sobre o facto de o comando não ter dado valor a esse preço.
militera.lib.ru/memo/russian/nikulin_nn01/index.html

Foi também ele que avisou que, com o tempo, os falsos veteranos falariam de bom grado do seu heroísmo, enquanto os verdadeiros combatentes permaneceriam em silêncio.
www.lib.ru/MEMUARY/1939-1945/PEHOTA/nikulin.txt

O poeta e cantautor Bulat Okudjava, que se alistou voluntariamente aos 17 anos e foi ferido perto de Mozdok, confessou: todos os seus poemas e canções não são tanto sobre a guerra como contra ela.
song-story.ru/do-svidaniya-malchiki-bulat-okudzhava/

O escritor soviético e antigo combatente Viatcheslav Kondratiev passou pelos combates mais duros da Batalha de Rjev — uma das direcções mais sangrentas de toda a guerra — e foi aí gravemente ferido. Na novela «Sashka» mostrou aquilo que os soldados mais querem: viver sem guerra.
militera.lib.ru/prose/russian/kondratyev1/01.html

Estas vozes são o principal argumento contra a transformação da memória da guerra num espetáculo de Estado e numa indulgência para uma nova guerra. O dia 9 de maio não é um dia para o slogan «podemos repetir». É um dia para as palavras: «nunca mais».

Que os céus pacíficos estejam convosco.

< 🙋 160ª Manifestação semanal 🙋 162ª Manifestação semanal >